Leia abaixo o emocionante trecho de uma carta escrita por Magón do cárcere:
[...] Isto sela meu destino; ficarei cego, apodrecerei e morrerei dentro destas horrendas paredes que me separam do resto do mundo, porque não vou pedir perdão. Não o farei! Em meus 29 anos de luta pela liberdade perdi tudo e toda oportunidade para me fazer rico e famoso; consumi muitos anos de minha vida nas prisões; experimentei a senda do vagabundo e do paria; vi-me desmaiado de fome; minha vida esteve em perigo muitas vezes; perdi minha saúde; enfim perdi tudo, menos uma coisa, uma só coisa que alimento, mimo e conservo quase com zelo fanático, e essa coisa é minha honra como lutador. Pedir perdão significa que estou arrependido de haver me atrevido a derrotar o capitalismo para pôr em seu lugar um sistema baseado na livre associação dos trabalhadores para produzir e consumir, e não estou arrependido disso; em verdade sinto-me orgulhoso disso. Pedir perdão significaria que abdico de meus ideais anarquistas; e não me retrato, afirmo, afirmo que se a espécie humana chegar alguma vez a gozar de verdadeira fraternidade, liberdade e justiça social, deverá ser por
meio do anarquismo. Assim, pois, [...], estou condenado a ficar cego e morrer na prisão; mas prefiro isto a ter que voltar as costas aos trabalhadores, e ter as portas da prisão abertas pelo preço de minha vergonha. Não sobreviverei a meu cativeiro pois já estou velho; mas quando eu morrer, meus amigos talvez inscrevam em meu túmulo: ?Aqui
jaz um sonhador?, e meus inimigos: ?Aqui jaz um louco?. Porém, não haverá ninguém que se atreva a estampar esta inscrição: ?Aqui jaz um covarde e traidor de suas idéias?.